18 de março de 2017

Seduce Me: Suzu (parte 1)

Oi oi, pessoal! Crys-chan chegou com a rota da Suzu. Ela está sendo traduzida pela Dani, segunda tradutora do blog. Espero que gostem! :)
Isso é uma narrativa interativa fictícia. Qualquer semelhança de personagens às pessoas da vida real são puramente coincidências. Também, saiba que o respectivo jogo é feito para público +16. Por favor saiba que temas sexuais/violentos são explorados nesse jogo. Avisos de conteúdo: Abuso, Estupro implícito e Suicídio. Você foi avisado. Divirta-se.
???: Uau, olá. Nossa, você não é um colírio para os olhos? Pode honrar-me em dizer seu nome?
[Insira seu nome ou utilize o proposto pelo jogo: Mika.]
???: Hmm... Um nome adorável para uma pessoa adorável como você. Maravilhoso.
???: Erik, faça seu trabalho.
???: Tá certo. *ahem* Este jogo foi produzido pela Seraphim Entertainment sob a direção de Michaela Laws e foi realizado pela Ren’py Visual Novel Engine. Esperamos que você curta a estória. Eu sei que eu vou gostar já que você estará nela.
???: Erik.
???: Certo, certo. Até breve, minha querida.

Em algum lugar...
???: DAH!!!
???: AHHH!
???: V-Vamos lá! Isso é tudo que você tem?!
???: Quer me testar, babaca?! Merda! Errei...
???: Vamos recuar por agora!
???: S-Sem brincadeira! Vamos sair daqui!
???: Isso mesmo! É melhor correrem, seus punks estúpidos! Fiquem longe do nosso território!!
Chame isso de coincidência. Mas aquele momento de violência desencadeou eventos que eu nunca esquecerei.
Sra. Philips: Esta fórmula, criada nos anos 70, é uma das mais importantes no campo da teoria financeira.
Sra. Philips: É usada para calcular o preço de opções no estilo europeu e é amplamente usada por comerciantes, embora tenham algumas discrepâncias que estão agora corrigidas com o moderno ponto de vista.
Chuva. Já faz um bom tempo desde que tivemos chuva por aqui. Mas é a época do clima chuvoso, então não é exatamente tão surpreendente.
Pessoalmente, eu amo o som. O modo como as gotas de chuva caem - como o leve bater de dedos - era tão calmante. Até mesmo olhando para as gotículas batendo no vidro da janela era estranhamente calmante.
Por essa razão eu senti-me sortuda por ter um assento próximo à janela, apesar de que eu gastei mais tempo encarando o lado de fora que prestando atenção na aula.
As aulas estavam bem entediantes. A voz da senhora Philips não era cansativa, mas eu apenas não estava interessada no que ela estava falando.
E já que era o período bem antes do almoço, tudo sobre o que eu podia pensar era fazer outras coisas em meu tempo livre.
Honestamente, eu não me importava muito com economia. Claro, eu tinha boas notas nessa aula, mas apenas porque eu li o livro e fiz meus trabalhos como deveria.
Eu apenas estava fazendo esta aula porque era obrigatória. Se fosse por mim, eu provavelmente teria pego outro curso. [NT: Nos EUA os alunos podem escolher as aulas que querem ter durante o colegial. Algumas são obrigatórias enquanto outras são opcionais]
Sorte que era meu último ano, então depois deste semestre significaria o fim dos cursos do colégio para sempre. Graças a Deus por isso.
Eu não odiava o colégio. Era apenas meio mundano como os dias passavam e passavam como se não houvessem fim.
A única coisa que eu realmente gosto sobre vir para o colégio era encontrar minhas amigas e passear com elas, mas era meio que só isso.
Resumindo, eu estava cheia do colégio. O começo do segundo semestre trouxe uma nota de finalidade a isso. Eu já havia me inscrito em muitas universidades no primeiro semestre, e estava esperando respostas nos próximos meses.
Parecia ser o começo de algo novo. Algo que mudaria.
Isso é, se coisas pudessem mudar. Eu encarei a leve linha de gotas d'água a distância. Por agora, eu estava presa nessa aula.
Sra. Philips: Srta. Anderson.
Sra. Philips elevou sua voz interrompendo meus pensamentos. Logo quando eu estava pensando sobre a aula. Eu rapidamente virei-me para encarar a professora. Esperançosamente ela não me escolheu apenas porque percebeu que eu estava distraída.
Você: Hm, sim, senhora?
Sra. Philips: Você poderia nomear a equação que eu coloquei no quadro-negro?
Ah, eu acho que li sobre ela no livro ontem à noite. Deve ser...
Você: A fórmula modelo de Black-Scholes [NT: Um modelo matemático do mercado de um ativo]
Sra. Philips: Muito bem como sempre, Srta. Anderson.
Anderson. Isso me segue onde quer que eu vá. A maioria das pessoas nem me conhecia pelo meu primeiro nome, e sim pelo meu sobrenome..
Sem dúvida, já que o sobrenome era a marca comercial da internacionalmente famosa e filantrópica “Brinquedos da Família Anderson”. E porque o fundador era meu próprio avô.
Suzu, uma das minhas melhores amigas, virou-se para mim e orgulhosamente deu-me um tapa no ombro.
Suzu: Mandou bem, garota!
Do meu lado, ouvi Naomi, minha outra melhor amiga, limpando sua garganta em óbvia desaprovação da escolha de palavras da Suzu.
Naomi: Ela quis dizer “bom trabalho”.
Sra. Philips: Srta. Cappini.
Suzu: Oi?
Sra. Philips: Pode me dizer quem foram os criadores desta fórmula?
Suzu: Uhh... Uns caras chamados Black e Scholes?
Naomi: *ahem* Fischer Black e Myron Scholes.
Sra. Philips: Muito bem, Srta. Patterson.
Suzu: Exibida.
Naomi: Melhor estudar da próxima vez, Suzu. Faça como a gente e estude de vez em quando.
Suzu virou os olhos e relaxou em sua cadeira enquanto Naomi lhe dava um pequeno sorriso. Ela sempre fazia beicinho quando a Naomi se exibia.
Sra. Philips: Este é o fim da aula. Agora, separem-se em grupos e trabalhem em seus projetos. Lembre-se, tudo está marcado para segunda-feira. Vamos em frente.
Antes que eu me tocasse, Suzu e Naomi arrastaram suas mesas alinhando à minha, e nos tornamos as Três Mosqueteiras.
Sempre quando a professora deixava os alunos escolherem os grupos, nós sempre nos juntávamos em nosso pequeno trio.
Foi muita sorte nós três conseguirmos ficar na mesma sala, então tínhamos que pelo menos aproveitar oportunidades como esta para ficarmos o máximo de tempo juntas.
E ainda, nós sempre ficávamos mais confortáveis ao lado de uma da outra, que, digamos, comprado com o restante dos outros colegas de classe.
É que fazia sentido para nós unirmos nossas cabeças para este tipo de projeto.
EU peguei o pôster que estávamos trabalhando e o desenrolei em cima das três mesas.
Nós estávamos quase terminando de preencher a maioria das obrigações do projeto, apesar de que ainda precisamos dar alguns últimos toques aqui e ali.
Depois de deixar o pôster um pouco mais bonito, relaxamos e inspecionamos nosso trabalho para ver o que ainda tínhamos que fazer.
Naomi, como sempre, era a primeira a encontrar erros. Ela gentilmente batia o lápis sob seu queixo, encarando intensamente o projeto.
Naomi: Certo, então vamos lá. Nós terminamos a seção de orçamentos, o aluguel do prédio e os custos de trabalho. O que mais precisamos?
Suzu endireitou-se e olhou para o pôster, coçando seu queixo. Depois de alguns segundos, seu rosto iluminou-se e ela começou a falar.
Suzu: Que tal o nome da empresa?
Naomi: O que? Nós realmente pulamos isso?
Suzu: Claro que pulamos! Você sempre vai direto às estatísticas lógicas e tudo mais que você esquece completamente que precisamos de um nome para nossos projetos!
Naomi: Ahh! Pelo menos nós nos lembramos desta vez! Como vamos nomeá-lo?
Suzu: Hmmm, não sei... O que você acha, Mika?
Era sempre eu quem decidia. Sempre quando havia algo a ser nomeado ou intitulado, era eu quem tomava a decisão final, mesmo quando eu não queria.
Naomi: Eu gosto de “Trinity Corporations”!
Suzu: Isso é MUITO previsível! Que tal “The Dragon Company”?!
Naomi: E o que dragões tem a ver com nosso projeto?!
Suzu: O que?! É um nome totalmente imprevisível! É ótimo!
Naomi: Mas nossa empresa vende chicletes!
Suzu: E quem disse que não podemos produzir chicletes apimentados?
Naomi: Ahhh... E o que você acha, Mika?
Suzu: É, o que você acha, Mika?
Elas me olharam com expectativa, mesmo que eu ainda não estivesse certa. Eu não queria escolher nenhum lado, mas se cabe à mim, eu diria...
[Eu gosto da “Dragon Company”!] ~ Resposta correta para rota da SUZU.
Suzu: Isso! Então será “Dragon Company”.
Naomi: Certo, agora que decidimos um nome, e agora?
Quando terminamos nossa discussão sobre o nome, uma risadinha mexeu com meus pensamentos.
Lisette: Hahaha!
Você: Hm? Quem foi?
Suzu: Ignore. É apenas a Lisette.
Eu olhei sobre meu ombro para vê-la rindo com seu grupo de amigos, a maioria são populares que eram amigos de praticamente todos no colégio.
E como resultado, todos no colégio os conheciam. E no centro de todos, estava Lisette Whitte.
Ela sentava com uma postura indicando que ainda estava trabalhando, mas que também estava pronta para conversar casualmente sobre seu dia.
Ela tinha um equilíbrio de carisma e esquisitice que era prontamente visto assim que ela falava com alguém.
Era fácil faze-la sorrir e rir e ela também era do tipo comediante.
Basicamente, ela era perfeita. Não que ela era como um robô ou algo assim, mas ela era o tipo de estudante que todos queriam ser.
Lisette era radiante, maleável e acima de tudo, tinha seu futuro bem à frente.
Ao contrário da maioria dos alunos, ela sabia o que queria fazer após o colegial e, como resultado, ela era confiante e ambiciosa, apesar de algumas vezes isso levar um monte de pessoas a pensar errado.
E ainda, eu a conhecia desde que era mais nova e que estranhamente resultou em uma rivalidade que continua até hoje.
Claro, minhas amigas sabiam o que havia entre nós, e ao me ver encarando-a, elas rapidamente voltaram sua atenção à ela.
Naomi: Na minha opinião, ela nem parece estar estudando.
Suzu: Provavelmente está, mas é uma patricinha muito arrogante para permitir a si mesma de parecer que está fazendo os deveres.
Naomi: Ah, fala sério, Suzu. Ela pode ser um pouco... desagradável, mas ela não é a grande patricinha que você está fazendo-a parecer.
Suzu: O dia que ela não for uma patricinha é o dia que eu viro você.
Naomi: E o que isso significa?
Suzu: Esquece...
Suzu: Já era hora! Vamos cair fora!
Inacreditavelmente, Suzu era a primeira a sair da sala, pendurando sua mochila sobre seus ombros com facilidade assim que corria porta afora.
Naomi: O assento dela nem é o mais perto da saída e ainda assim ela consegue ser a primeira a sair da sala... Eu acho que eu nunca a entenderei.
[ Somos duas, Naomi ]
[ Eu gostaria de ser tão rápida quanto ela para sair daqui... ] ~ Resposta correta para a rota SUZU.
Naomi cruzou os braços, dando-me um olhar desapontado.
Naomi: Ah, você também não! Ela está te tornando em uma delinquente!
Mika: Haha, é só uma piada, Naomi!
Naomi: Hmph. Bem, não foi uma piada muito engraçada.
Suzu: Cara, vocês são lendas. Vocês vêm ou não?
Naomi: Nós te ouvimos da primeira vez. Nem todo mundo tem propulsores a jato presos às pernas quando o sinal toca.
Suzu: Você tá brincando? Essa aula estava ridiculamente chata. Até mesmo a Senhorita CDF aqui estava divagando um pouco.
Mika: Haha… Eu tenho que admitir que estava distraída. E só porque eu respondi uma pergunta, não significa que eu seja uma CDF.
Naomi: Certo, então não estava mesmo tão interessante, mas vocês deveriam pelo menos prestar atenção quando Philips está falando sobre partes importantes.
Suzu: Então você finalmente admite! Nós finalmente estamos de acordo. Bem-vinda ao clube, Patterson.
Naomi: Por favor. Não me chame pelo sobrenome. Não estamos na sala de aula. E nunca em um milhão de anos veremos as coisas com os mesmos olhos.
Apesar de tudo, ambas caíram em gargalhadas. Normalmente, qualquer um acharia que opostos como elas nunca se dariam bem, mas mesmo que sejam diferentes, a amizade delas faz total sentido.
Talvez seja porque elas se complementam perfeitamente ou a personalidade apenas não ditou a possibilidade da amizade... Afinal, nós três somos amigas desde a pré-escola.
Suzu: Certo, então onde vamos primeiro? Refeitório? Eu acho que todas nós concordamos que estamos com fome. Especialmente depois de ouvir sobre a deliciosa linha de chicletes apimentados da nossa empresa.
Naomi: Eu me pergunto quem compraria isso...
Suzu: Eu! Pagaria um bom valor para provar.
Você: Haha, você realmente gosta de coisas apimentadas.
Entramos no refeitório, uma área repleta de aromas dos mais diferentes tipos de comida. Assim que ficamos na fila, nós pedimos nossas refeições e conversamos livremente.
Suzu: Para mim, batata frita rústica e o hambúrguer de frango apimentado! Esta é a minha definição de boa comida.
Naomi: Eu quero um sanduíche de atum e um pouco de suco... Você provavelmente vai precisar de um pouco de água ou algo que possa conter todo o sabor apimentado, Suzu.
Suzu: Não posso ser tentada desta forma. Se é picante, então tem que ser tudo-ou-nada.
Naomi: Você é maluca!
Suzu: Claro que sou maluca!
Naomi: Acho que vou ter uma dor de cabeça...
Você: Eu acho que vou escolher...
[ O mesmo que Naomi ]
[ Macarrão com queijo e refrigerante ]
[ Batata frita rústica e hambúrguer de frango apimentado ] ~ Resposta correta para a rota SUZU.
Você: Eu também vou de apimentado hoje!
Assim que pegamos nossa comida, sentamos em uma das mesas vazias, colocando nossas mochilas de lada para finalmente cair na comida.
Suzu encostou na cadeira, fazendo-a balançar para trás para que pudesse colocar os pés na mesa, ao lado de sua refeição.
Naomi: Certo, há algo que queiramos falar?
Suzu: Haha! Já está entediada?
Naomi: Já sei! Vamos falar sobre...
Suzu: Diga “garotos” e eu nunca mais falo com você.
Naomi: Ahhh... Por que não?
Suzu: O que há de tão interessante para falar sobre rapazes? Não é como se alguma de nós fosse arranjar um namorado em breve.
Naomi: Eu sei disso! Mas e se alguma de nós arranjar um namorado?
Suzu: Como se isso fosse acontecer, Naomi. Olhe para nós! Sou uma italiana baixinha, você é uma loira chata...
Naomi: Como?!
Suzu: SEM OFENSAS! …E Anderson aqui… Bem… Eu acho que ela poderia arranjar um namorado ou namorada se ela quisesse.
Naomi: Ou namorada?
Suzu: Ela pode ser lésbica, se quiser.
Naomi: Verdade.
Você: Está tudo bem, Suzu. Eu ainda não estou certeza de ter um namorado.
Suzu: Por que não? É seu último ano! É melhor arranjar um namorado!
Naomi: Talvez ela apenas não esteja interessada em um relacionamento, Suzu.
Voce: Bem...
Na verdade não era pela relação, mas sim porque não havia ninguém interessante o suficiente para começar um relacionamento.
Não me leve a mal, sou uma pessoa de mente aberta mas é que não há muitos rapazes interessantes na escola para sair...
Você: Quem sabe? O tempo irá dizer.
Naomi me olhou, querendo continuar a conversa. Contudo, antes que ela pudesse falar, o auto falante no refeitório começou um anúncio que ecoou por todo o ambiente...
Auto falante: Srta. Anderson, por favor venha ao escritório central imediatamente. Por favor traga seus pertences com você.
Naomi: Nossa...
Suzu: Parece que nossos planos foram interrompidos. Os homens de branco finalmente vieram te pegar, hahaha!
Naomi: Suzu, pare de piadinhas. E se for algo sério?
Suzu: Ahh, tá certo. Se acontecer alguma coisa, nos ligue.
Engraçado, alguma coisa realmente aconteceu.
E certamente não era algo para rir.
Frio. Estava muito frio.
A chuva ficava cada vez mais pesada naquela tarde, acompanhada por alguns trovoes. O céu tornou-se negro, apesar de que eu não podia vê-lo debaixo do guarda-chuva preto.
Não que eu estivesse olhando para cima. Na verdade, “olhar para cima” é justamente o contrário do que eu queria fazer.
Encarar a grama sobre meus pés, incapaz de olhar para as pessoas chorando à minha volta. Tudo o que eu conseguia ver, era a grama molhada.
Apenas o monótono discurso pairava pelo ar, entrando em meus ouvidos lembraram-me que eu estava em um funeral.
Foi apenas quando o discurso terminou que eu fui capaz de erguer minha cabeça.
Um pequeno grupo de pessoas, a maioria sendo parentes que eu nem conhecia, estavam em volta de uma simples e pequena lápide.
Por um momento, tudo o que eu ouvi foram as gotas de chuva nos guarda-chuvas. Se não fosse pela chuva, provavelmente tudo estaria envolto em um pesado silêncio.
Eu olhei ao meu lado, onde estava meu pai segurando um grande guarda-chuva para nossa pequena família de três pessoas.
Sua face não demonstrava nenhuma emoção, uma visão estranha ao lado de minha mãe chorosa. Eu imaginava o que se passava em sua mente.
E então, gravado na superfície da lápide cinza à nossa frente, estava o nome de meu avô.
Meu avô, aquele que me criou como sua própria filha, faleceu naquele dia. A cerimônia foi pequena, apenas os familiares próximos estavam autorizados a vir.
Lentamente, as pessoas começavam a ir embora, deixando meu pai, minha mãe e eu para trás junto ao túmulo.
Um homem vestido com um terno impecável sob o guarda-chuva preto uniforme dos participantes do funeral veio em nossa direção, apresentando-se como advogado de meu avô.
Ele puxou alguns documentos de sua pasta e começou a lê-los em voz alta.
Advogado: E agora, eu devo ler os últimos desejos e testamento de Harold Anderson...
Apenas meus pais e eu estávamos autorizados a estar presente para a leitura do testamento de meu avô. E era sobre este rigoroso pedido de seu advogado. E havia uma razão.
Advogado: ...E para minha querida neta, eu deixo minha mansão. Toda a mobília e decoração que estiver dentro da casa também deve ser entregue à minha neta.
Você: ...O que?
Eu não podia acreditar em meus ouvidos. Eu havia herdado a mansão da família? Aos 18 anos? Isso era impossível, mas ainda assim foi escrito pelas mãos de meu avô.
Sr Anderson: Ele transferiu a mansão para ela... Por que não estou surpreso?
Sra Anderson: Querido...
Sr Anderson: Bem, ele disse algo sobre o que será do CEO e Presidente da empresa Brinquedos Anderson?
Advogado: Não. Presume-se que será assumido pelo Vice-Presidente.
Sr Anderson: Heh... Até o amargo fim ele não cederia. Mas que velho teimoso.
Balançando sua cabeça. Meu pai virou para minha mãe com um semblante sério.
Sr Anderson: Sobre a mansão... Devemos enviá-la para lá para acostumar-se com o local? Será um ótimo lugar para ela morar depois do colegial.
Sra Anderson: Você acha que devemos?
Sr Anderson: E por que não? Será uma ótima experiência para ela.
Sra Anderson: Querida, o que você acha?
Você: ...
Eu não tinha certeza do que dizer. Por que meu avô acha que seria apropriado que eu herdasse a mansão? Eu estava pronta para viver sozinha?
Sr. Anderson: Bem, então será assim. Nós vamos embora agora. Estou certo de que a pequena herdeira precisa de tempo para se ajustar.
Sra. Anderson: David...!
Apesar de que ela tenha levantado a voz, meu pai começou a andar para o carro, sem dizer uma única palavra, desinteressado.
Sra. Anderson: Não se preocupe com ele, querida. Eu acho que o falecimento de seu avô realmente o afetou. Por que não vamos para casa por agora?
Você: Você pode ir em frente, Mamãe. Eu acho que preciso de um tempo sozinha com o vovô...
Sra. Anderson: Ah, é claro. Leve o tempo que precisar.
Ela me deu um breve abraço e apressou-se em direção ao meu pai. Eu olhei em volta do local do funeral, estava completamente vazio para o sombrio túmulo que estava diante de mim.
Você: Estou certa de que se o vovô estivesse no comando de arranjar tudo isso, teria sido muito diferente.
Era óbvio que meu pai foi o responsável pelo evento. Quem mais enterraria seu próprio familiar no mesmo dia de falecimento?
Todos sabiam do amor de meu avô por brinquedos e ainda assim a lápide era uma mera pedra sobre o chão, livre de qualquer brinquedo infantil. Meu pai nem ao menos se importou em colocar flores...
Seu cuidado pelo meu avô era quase lamentável...
Você: Desculpe, vovô...
Eu tentei falar algumas palavras, mas a única coisa que saiu foi um gemido de choro.
Você: Você me disse para ser forte... Mas, agora, estou longe disso. Assim como naquela vez, há muito tempo...
~
Você: Vovô!
Avô: Oh, que bom te ver, querida!
Eu fui envolvida por um abraço de urso e rimos enquanto ele me balançava como um avião.
Era uma das minhas coisas favoritas ao ver meu avô, a maneira que ele me cumprimentava. Ao contrário de meu pai, meu avô era amoroso e brincalhão, mesmo quando eu fiquei mais velha.
Você: Sinto muito que o Papai não pôde vir hoje. Ele disse que não estava se sentindo muito bem de novo...
Era sempre assim. Papai não ia em nenhuma visita à casa do Vovô, dizendo que estava ocupado com trabalho ou que não estava se sentindo bem.
Vovô: Então é isso... Bem, tudo bem. Papai pode vir uma próxima vez. E você está aqui, certo?
Você: Sim! Então o que vamos fazer hoje, Vovô? Mamãe disse que há uma nova doceria aberta na cidade. Podemos ir?
Vovô: Eu adoraria ir, mas eu tenho estado tão ocupado com trabalho esses dias. Nós estamos trabalhando em algo... Você gostaria de ver?
Você? Sim! Ahh, é um brinquedo?
Vovô: É sim. Eu estava criando uma nova linha deles, mas eu acho que há algo faltando... Você não acha que pode me ajudar, ou acha?
Você: Claro!
Ele colocou o brinquedo em minhas mãos com um sorriso, e eu inspecionei cuidadosamente. Era lindamente feito à mão e obviamente com muito esforço. Mas tinha uma coisa...
Vovô: Então, o que você acha?
Você: Hmm... Eu acho que o coração em seu peito deveria acender uma luz quando você o abraçasse. Iria parecer que estivesse vivo, e ainda pode ser como uma luz de boa-noite antes de ir dormir!
Ele acariciou seu queixo, considerando minha observação enquanto concordava com a cabeça. Depois de alguns momentos de silencio de deliberação, ele me olhou soltando uma risada.
Vovô: ...É uma ótima ideia! Eu vou providenciar a mudança imediatamente. Você é sempre como meu amuleto da sorte, querida. Você sempre sabe o que colocar para fazer o brinquedo perfeito.
Você: Ahaha! Bem, eu espero ser como você algum dia, Vovô.
Vovô: Você também quer fazer brinquedos?
Voce: Hmm, bem, fazer as pessoas felizes é a melhor coisa do mundo. Mas eu não sei se eu quero fazer brinquedos quando e crescer.
Vovô: Não se preocupe muito com isso. Você ainda tem muito tempo para se decidir. E ainda, você também deve fazer aquilo que te faz feliz.
Você: Faz sentido. Mas papai não pensa dessa maneira...
Vovô: Seu pai... Estou certo de que ele quer o melhor para você.
Você: Não estou certa sobre isso.
Vovô: Querida, olhe para mim.
Ele abaixou-se para olhar-me nos olhos, com um semblante sério.
Vovô: Por mais que seu pai fale algo que não faça sentido agora, você deve lembrar-se que ele está sempre pensando em você. Ele te ama. Não há dúvidas sobre isso. E você precisa amá-lo igualmente.
Você: Eu não odeio o Papai. Eu o amo... Eu só não sei porque ele é assim.
Vovô: ...Seu pai e eu tivemos algumas desavenças um com o outro no passado. Mas não é nada que você deva se preocupar.
Eu tinha ouvido um pouco disso da minha mãe e de várias outras pessoas.
As únicas pessoas que ficavam quietas eram meu pai e meu avô – ambos não diziam uma palavra sobre o assunto, mas estava claro que, o que quer que tenha acontecido, um muro ergueu-se entre eles.
Você: Ainda é difícil. Fingir que não há nada de errado.
Vovô: Contudo, não importa o que, você tem que ser forte. Você já é uma moça já e, bem, haverá um dia que vai parecer que você está contra o mundo. Mas lembre-se sempre que sua família e amigos estarão com você.
Vovô: Papai, Mamãe, seus amigos do colégio, eu... Estaremos juntos para superar os problemas.
Você: ...Como pode estar tão certo disso?
Vovô: Por que estaremos aqui... E aqui.
Ele apontou para minha cabeça, primeiro, e então para meu coração.
Vovô: Então seja forte... promete?
Por um momento ele me olhou um pouco triste, suplicante. Mas isso desapareceu imediatamente de sua face e ele estava sorrindo novamente.
Você: Prometo.
Ao ouvir minha resposta, vovô deixou escapar uma gargalhada e levantou-se.
Vovô: Certo, agora chega disso. Que tal eu preparar alguma sobremesa caseira especial? Eu sei que não consigo competir com aquela nova doceria, mas podemos certamente conversar e comer enquanto trabalho em alguns documentos.
Você: Sobremesa caseira? Eu vou correr até à cozinha!
Vovô: Ei, devagar. Eu não sou como era, hahaha...
~
Você: Você me deixou a mesma casa que eu amava te ver... Por quê? Por que você pensaria que eu já estava pronta para recebe-la? Especialmente depois disso...?
Uma onda de nervosismo borbulhou dentro de mim, mas eu rapidamente a engoli. Não havia porque em ficar brava, especialmente quando a pessoa em questão já não está mais aqui.
Mika: Desculpe. É difícil ficar calma quando você deixou-me com tantas perguntas. Especialmente sobre o que aconteceu entre você e o papai... Há... O que eu estou fazendo? Falando com um túmulo...
Minha visão embaçou e eu finalmente dei-me conta de que estava chorando. Meu rosto aqueceu-se com as lágrimas rolando sobre minhas bochechas.
Mika: Eu lhe trarei flores depois. Eu... Eu sinto sua falta, Vovô... Eu vou me esforçar para cumprir a promessa que eu te fiz, mesmo quando o mundo se virar contra mim.
Eu deixei o túmulo, enxugando minhas lágrimas rapidamente para que meus pais não vejam.
Sra. Anderson: Bem, está na hora de voltar para casa. Eu vou fazer sua lasagna favorita quando chegarmos em casa, ok?
Mika: Obrigada, mamãe.
Contudo, meu pai não disse uma só palavra o caminho inteiro. Eu queria conversar com ele mas depois de seu momento no funeral, eu não estava certa se seria uma boa ideia...
Sr. Anderson: Já era hora de tirarmos essas roupas negras horríveis.
Reunindo coragem, eu decidi que era hora de falar com meu pai.
Mika: ...Pai, posso perguntar uma coisa?
Sr. Anderson: Prossiga.
Mika: Por que você quer que eu me mude para a mansão tão cedo?
Sr. Anderson: Eu imaginei ter deixado claro. A faculdade próxima à mansão de seu avô é renomada por seu programa de negócios. Você ESTÁ planejando especializar-se em Administração, certo?
Mika: ...
Sr. Anderson: Assim que você se formar no colegial, você já vai estar morando lá e pode facilmente ir e vir da escola. É perfeito para você.
Sr. Anderson: Não seja tão sensível. Se você for assim no mundo real, será esmagada.
Mika: Só estou dizendo porque eu acho que poderíamos conversar melhor sobre meu futuro.
Em resposta, meu pai esfregou suas têmporas e suspirou em silêncio.
Sr. Anderson: Depois que você se formar na faculdade, você vai trabalhar na Brinquedos da Família Anderson, eu tenho contatos já que sou parte do quadro de diretores, e então você terá seu lugar. É o que já conversamos, certo?
Mika: Mas.. E se...
Sr. Anderson: Pare de resmungar.
Mika: Mas e se eu não quiser trabalhar lá?
Sr. Anderson: Não seja tola. É a empresa da nossa família. Nossa empresa. Eu não vou entrega-la para qualquer vice-presidente incompetente.
Mika: ...
Ele se aproximou de mim e sua face amoleceu.
Sr. Anderson: Olha, isto é apenas para o melhor, certo? Você pode não entender agora, mas você vai agradecer mais tarde.
Por alguma razão, quando eu o ouvi dizer isso, alguma coisa estalou dentro de mim. EU não estava certa sobre o que era... Mas me deixou muito brava.
Mika: ...Então você não se importa que o Vovô faleceu?
Sr. Anderson: Claro que eu me importo.
Mika: Bem, tudo parece tão fino e elegante para você. As coisas não poderiam estar melhores.
Sr. Anderson: Como é que é? Eu não estou gostando do seu tom de voz, mocinha.
Mika: É como se nada tivesse acontecido. Assim como você ignora o fato de que ele não está mais aqui!
Sr. Anderson: NÃO levante a voz comigo.
Mika: O que ele te fez para merecer isso?
Meu pai, sua face enrijeceu, cruzou os braços e gargalhou com uma risada nervosa.
Sr. Anderson: Há! Você com certeza colocou-o em um pedestal. Como se ele fosse algum tipo de deus ou coisa parecida. Sinto-me enojado.
Mika: É isso? Está feliz com o Vovô morto? Enquanto todos estavam lamentando você estava apenas se segurando para não rir na cara das pessoas? Você se sentiu um pouco feliz por vê-lo no caixão?!
Uma centelha de rainha passou por sua face e ele bateu em minhas bochechas com as costas de sua mão.
Sr. Anderson: Você não sabe DE NADA! Falando como se você soubesse de alguma coisa que aconteceu, quando você é apenas uma garotinha que não sabe quando ficar calada!
Sr. Anderson: Você NÃO conheceu meu pai! Você não sabe do que ele era capaz!
Mika: ...
Sra. Anderson: Está tudo bem? O que aconteceu?
Mika: ...Nada. Eu não estou com fome. Vou apenas subir.
Sra. Anderson: Querida? Espere!
Eu subi as escadas rapidamente entrando em meu quarto e batendo a porta atrás de mim. Minha respiração ficou ofegante e por um momento eu me encostei na porta de meu quarto, eventualmente deslizando até sentar-me no chão.
Mika: Como as coisas ficaram desse jeito?
Minha bochecha ainda latejava, eu levantei-me timidamente e olhei no espelho para ver como estava.
Mika: Espero que não fique uma marca... Hah, o que foi que eu estava falando...?
Lágrimas formaram nos cantos de meus olhos mas eu as expulsei rapidamente. EU não poderia chorar pela segunda vez hoje... Eu tinha que ser mais forte que isso...
Sra. Anderson: Você está bem? Seu pai disse que nada aconteceu, mas você conhece seu pai...
Mika: Estou bem. Só perdi o apetite.
Sra. Anderson: Mas sua lasagna está pronta! E eu não queria que você pulasse refeições. Está certa disso?
Mika: Sim. Não se preocupe comigo, Mamãe. Eu vou descer mais tarde para comer.
Sra. Anderson: ...Você não está me contando a história toda.
Mika: E-eu apenas não quero comer agora.
Sra. Anderson: Por favor, querida... Conte-me o que está acontecendo. Eu quero tanto que você me conte o porquê você está agindo assim...
Mika: ...
Eu queria contar-lhe. Parte de mim estava gritando de vontade de contar a ela o que Papai tinha feito. E ao mesmo tempo, eu sabia que ela não poderia consertar nada. E ainda, eu estava de mudança, apesar de tudo.
Eu permaneci em silêncio, deixando o evento no passado.
Sra. Anderson: Bem... Eu vou deixa sua comida na mesa caso você queira comer mais tarde.
Finalmente minha mãe deixou-me sozinha. Era estranho pensar que ela estava a poucos centímetros de mim, apenas separada por uma simples porta de madeira...
Eu realmente não sabia o que fazer. Eu precisava fazer algo – qualquer coisa – para livrar minha mente do que tinha acabado de acontecer.
Qualquer coisa seria melhor do que pensar na dor que ainda emanava de minha bochecha.
Eu ia me mudar para a casa de meu avô amanhã. Eu deveria, provavelmente, começar a empacotar minhas coisas para que eu esteja preparada para amanhã.
Sim. Isso era uma boa ideia.
Mika: Eu deveria começar a fazer as malas.
Eu abri meu guarda-roupa, olhando em volta por um momento antes que eu finalmente encontrasse duas malas grandes. Puxei-as para fora, para o chão de meu quarto, e então eu comecei a esvaziar minhas gavetas e cômodas para que eu pudesse levar todas minhas coisas comigo.
Eu não tinha muito o que levar, além de algumas coisas e produtos. Era um pouco bizarro que eu não tinha muitos pertences pessoais.
Não era como se minha bagagem fosse completamente desprovida, mas eu certamente não tinha muitas coisas no meu quarto que eu sentiria falta de saísse de repente de casa.
Eu chacoalhei minha cabeça para livrar-me desses pensamentos. Já que seria minha nova casa, deveria parecer como uma. De uma forma ou de outra... Eu a farei um lar.
Enquanto empacotava minhas coisas, meu celular começou a tocar e vibrar em meu bolso.
Eu deslizei meu celular para fora do bolso e atendi a chamada enquanto ia para a cama vagarosamente. Quem poderia estar me ligando?
Suzu: Ei! Anderson! Você tá aí?
Naomi: Está tudo bem? Estávamos preocupadas então decidimos ligar.
Mika: ...
Naomi: Alô?
Mika: Eu estou muito feliz que vocês ligaram.
Minha voz finalmente saiu, apenas de que fosse apenas um sussurro.
Naomi: O que houve? Está tudo bem?
Mika: Bem...
Eu comecei a contar lentamente sobre o funeral da tarde. Um pequeno silêncio seguiu quando eu terminei de recontar o que aconteceu, e para meu alívio, Naomi finalmente se pronunciou.
Naomi: Eu não consigo imaginar como você está se sentindo agora... Eu sinto muito. Você quer que a gente vá até sua casa agora?
Mika: Não, tudo bem. Meu pai não está de bom humor, então... Podemos apenas continuar falando ao telefone, assim?
Naomi: Claro! Ficaremos no telefone até o amanhecer, certo, Suzu?
Suzu: Sim! Estamos sempre aqui se precisar. E ainda, não seriamos o incrível Trio Tripla Ameaça sem você, certo?
Mika: ...ahaha, sim.
Naomi: Trio Tripla Ameaça? Isso parece nome de gangue...
Suzu: Sim! Quero dizer, nós estamos dominando o mundo juntas! Temos que soar um pouco assustadoras ou ninguém vai nos levar a sério.
Naomi: O que há com você em nomear as coisas?
Suzu: Você tem que arrumar seu jogo, Naomi. Ficando para trás de pessoas legais como Anderson e eu, tsk, tsk.
Naomi: Ei! Eu sou uma garota bacana! Eu que devo te dizer para arrumar seu jogo.
Conversamos animadamente sobre todo tipo de coisas. Pouco tempo se passou e eu já havia esquecido todos os eventos do dia e estava engajada na conversa sobre o programa de TV favorito da Naomi – algum programa chamado Herlock.
Concordamos que o ator que era o protagonista certamente tinha um visual exótico, com aquele longo sobretudo e cachecol enrolado em seu pescoço.
Nós tínhamos tantos desentendimentos sobre quem era o melhor personagem.
Mika: Ahaha, sim, ele realmente tem grandes bochechas. E seus olhos são bonitos. Contudo, eu devo dizer que prefiro Jatson. E é apenas um bônus o ator ser tão estiloso.
Eu olhei no relógio pendurado na parece e percebi o quão tarde estava.
Mika: Nossa, já são quase 01:00AM?! Desculpe por segurar vocês tão tarde.... Eu acho que vou dormir agora. Vejo vocês na escola amanhã!
Mika: Eu provavelmente devia tomar banho e ir para a cama. Não acredito que fiquei acordada até tão tarde conversando com meus amigos...
Mika: Mas... foi bem legal.
Mika: Bem, para o banheiro eu vou!
Eu tomei um banho relaxante; nada se compara com a água quente e o sentimento de estar limpa. Depois de me secar, eu prontamente coloquei meus pijamas e arrastei-me para a cama.
Mika: Aah, um belo banho quente depois de um longo dia. Estou feliz por finalmente estar na cama.
Realmente foi um longo dia. Eu sabia que desejava alguma mudança na sala, mas eu certamente não estava esperando nada disso hoje.
Mika: E eu ainda tenho aula amanhã... Ugh.
Eu virei de lado e enrolei-me firme no cobertor. Eu não estava com humor de retornar à escola, mas o meu pai provavelmente apenas me faria ir apenas porque sim.
Mika: Já é hora de dormir...
Eu alcancei o abajur em meu criado-mudo para apagar as luzes.
Contudo, minha mente estava tão perdida com o falecimento de meu avô e com o pensamento de herdar algo tão grande, que isso assombrou minha mente a noite inteira até a manhã seguinte...
Mika: ...nnn...
Eu balancei minha cabeça para tentar livrar-me da sonolência mas sem sucesso. Eu realmente não consegui dormir nada ontem à noite.
Mika: Já é hora de acordar? Espera, escola...
Assim que eu percebi que tinha que ir para a escola, deslizei para fora da came e olhei no espelho.
Mika: ... Que alívio.
Por sorte havia apenas uma leve marca em minha bochecha – você tinha que prestar muita atenção para vê-la. Eu duvido que alguém note a não ser que chegue muito perto.
Suspirando, me vesti, peguei minha mochila e saí para pegar o ônibus para a escola.
Não havia passado muitas horas até que todos soubessem das notícias. Eu cheguei na escola recebendo pêsames por minha perda. Contudo, não foi isso que chocou minhas amigas.
Suzu: Espera, então você tem TODA a casa dos Anderson para você?! Cara, que sortuda!
Naomi: *ahem*...
Suzu: Pare de ser tão sensível, Naomi.
Naomi: Pare de ser tão vulgar, Suzu.
[ Naomi está certa, Suzu ]
[ Suzu está certa, Naomi ] ~ Resposta correta para a rota SUZU
Naomi: Claro que você ficaria do lado dela!
Suzu: Hah! Viu, pelo menos ela sabe como se divertir.
Naomi: Eu sei como me divertir! Você não precisa ser selvagem para se divertir!
Mika: Gente. Eu estou indo para lá hoje depois da aula porque meus pais querem que eu me acostume a morar lá.
Suzu: Sério? Nem faz um dia desde que você voltou para a escola!
Mika: Eu sei, mas meus pais querem que eu tente morar por lá o quanto antes...
Naomi: Ainda assim, é muito rápido... Você vai ficar bem?
Mika: Claro, haha.
Mas, mesmo com o apoio de minhas melhores amigas, a vida pareceu estar me testando...
Mika: Oooof!
Suzu: Ei! Não ande por aí esbarrando nas pessoas assim.
Lisette: Ooops! Eu bati em um nervo, Cappini?
Ela riu enquanto jogava seus cabelos passando os dedos sobre ele. Lisette. Uma das últimas pessoas que eu queria ver hoje...
Suzu: Tch. Não é para mim que você deveria se desculpar.
Lisette: Oh, Anderson! Ei! E aí, como você está?
Mika: Eu... Estou bem.
Naomi: Er... Você ainda não ficou sabendo, Lisette?
Lisette: De que?
Naomi: ...O falecimento de seu avô.
Lisette: Ah, bem, eu sinto muito por isso. Eu não assisto muitos noticiários.
Suzu: ...Não pareceu que você realmente se importa.
Lisette: Eu me importo. De coração. Por que eu não me importaria?
Garota Rude: Típica Cappini. A família dela não está envolvida com a máfia ou algo assim? Eu não ficaria surpresa se ela puxar um taco atrás dela agora mesmo.
Eu havia quase esquecido da multidão que seguia Lisette, que na maioria das vezes estava composto de pessoas que ninguém gostaria de encontrar em um típico dia escolar.
Ninguém tinha a menor ideia do porque eles seguiam Lisette para cima e para baixo tão persistentes, eles rotulam-se como socialmente iguais à ela.
Naomi: Isso passou dos limites! Suzu vem de uma família honesta!
Garota Esnobe: Diz a garota cuja família sobrevive de escândalos políticos.
Garota Rude: Sim, seu pai não faz nada a ser que esteja na corte com políticos corruptos!
Naomi: Grr!
Lisette: Ei, vamos nos acalmar por um momento, certo? Estou certa de que Anderson precisa de um tempo para se recuperar. Quero dizer, sobre o que aconteceu... Nós precisamos dar à ela algum respeito.
Mika: ...
Mika: .... Apenas pare.
Mika: Pare de agir dessa forma. Como se você tivesse pena de mim.
Lisette: Hm? Do que você está falando?
Mika: Estou certa de que você está feliz em me ver assim. Você já tem tudo o que sempre quis e agora me vendo dessa forma... A vida não poderia ficar melhor.
Amargura instalou-se em mim e eu não me importava. Eu estava tão consumida pela raiva que eu só conseguia ver a Lisette na minha frente.
Mika: O que exatamente eu sou para você? Apenas uma parte de seu trajeto de obstáculos? É isso que sou?
Mika: Estou cansada disso, Lisette. Estou cansada de todas essas charadas. Estou cansada de você.
Suspiros ecoaram ao redor dela, e eu finalmente estava de volta ao corredor da escola. Até minhas amigas ao meu lado olharam-me surpresa.
Pareceu que uma garota ia se manifestar, mas a Lisette a segurou para impedi-la. Havia esta emoção em sua face que eu não podia distinguir mas eu pude ver uma forma de pena em seus olhos.
Mika: Não, não se atreva a ser sentir pena de mim.
Eu desviei meu olhar dela, eu não queria ver qual emoção havia em seus olhos quando ela estava falando comigo. Ela não tinha o direito de me olhar daquela maneira.
Lisette: ... Eu sinto muito. Entendo que com o falecimento de seu avô suas emoções devem ter sido afetadas.
Mika: ...
Ela se aproximou de mim e colocou sua mãe sobre meu ombro, dando-me um pequeno sorriso, como se fosse pelos velhos tempos.
Mas por alguma razão... Eu não me sinto confortável. Não que eu estivesse apenas brava com ela, mas a expressão em sua face quando ela se aproximou de mim virou algo complexo.
Alguma coisa estava diferente sobre ela. Eu não conseguia dizer exatamente o que era, mas alguma coisa nela realmente havia mudado.
Lisette: Bem, eu vou indo por agora. Assumir responsabilidades e tudo mais. Até mais tarde!
Alguma coisa sobre a Lisette fez-me sentir desconfortável. Eu não estava apenas brava, mas também inquieta. O que era isso? Eu nunca havia sentido isso nela antes.
Mas eu decidi não prestar mais atenção nisso. Ela continuou pelo corredor com seu grupinho de “amigos” seguindo-a.
Eu foquei minha atenção na Sra. Philips que estava passando pelo corredor em minha direção.
Sra. Philips: Está tudo bem, garotas?
Suzu: Nada que não podemos lidar, Sra. P. Apenas um bando de esnobes!
Naomi: Suzu! Quieta! Não foi nada, Sra. Philips.
Sra. Philips: Entendo. Bem, Srta. Anderson. Por favor aceite meus pêsames por sua perda.
Mika: Obrigada, Sra. Philips.
Sra. Philips: Seu avô era uma ótima pessoa. Ele realmente sustentava as políticas filantrópicas de sua empresa... E o dinheiro que também ia para a caridade...
Mika: Eu sei... Ele era incrível. Eu o admirava e quero ser tão boa quando ele era.
Naomi: Bem, eu sei que você será tão incrível quanto seu avô.
Suzu: Claro que vai ser! Ela será dez vezes melhor que seu avô!
Eu seria? Eu realmente seria melhor que meu avô...? Todos pareciam ter grandes expectativas em mim... Eu queria fazer o meu melhor e deixar minha família orgulhosa, mas ser melhor que meu avô?
Eu não estava certa disso...
Do lado de fora da janela da escola eu vi um carro azul familiar estacionar no meio-fio. Sem dúvida alguma era meu pai no banco do motorista.
Mika: Oh! Minha carona está aqui. Bem, eu acho que vejo vocês amanhã!
Suzu: Quer que a gente vá com você?
Mika: Ah não! Tudo bem, haha. Eu ficarei bem. Até mais!
Mika: Oi, Papai.
Sr. Anderson: Oi, querida...
Assim que eu entrei no carro, percebi que meu pai parecia preocupado, apertando firme no volante e encarando o horizonte, como se algo realmente o perturbasse.
Sr. Anderson: Sobre o que aconteceu ontem... Eu sinto muito por ter gritado com você... A sua bochecha ainda dói?
Mika: Não. Não há nada a se preocupar.
Sr. Anderson: Eu falo sério... Eu não deveria ter colocado um dedo em você. Você sabe que é minha filha preciosa. É tudo o que eu tenho.
Mika: ...
Sr. Anderson: Eu...
Ainda assim ele não conseguia dizer o que ele nunca pode dizer para mim em muito tempo. EU sempre quis ouvir aquelas palavras para afirmar como ele realmente se sentia, mas... Eu acho que, mesmo agora, ele não irá dize-las.
Eu virei minha cabeça para olhar pela janela. Não havia motivo em esperar por algo que nunca viria.
E,desse jeito, ele começou a dirigir e a conversa entre nós se encerrou.
Eu decidi manter minha atenção no cenário que passava.
Nós estávamos pegando o caminho usual para a casa do Vovô; estava localizada na vizinhança do distrito escolar, mas ainda era bem longe da escola e de onde era nossa casa.
Ele sempre havia morado sozinho. Insistiu em fazer as coisas por ele mesmo, mesmo com aquela idade morando em uma casa tão grande.
Eu imagino, ele faleceu sem ninguém ao seu lado também? Isso pareceu tão solitário... e triste...
Era estranho que ele tenha decidido morar sozinho em sua maior mansão. Caso alguma coisa, ele poderia ter morado com a gente.
Apesar de que ele e meu pai provavelmente não trocariam uma única palavra. Talvez morando sozinha era o melhor a se fazer.
Na verdade, eu não o visitava havia muito tempo. As visitas à sua casa eram mais comuns quando eu era criança e eu já tinha crescido muito desde então.
A última vez que eu o visitei, eu achei que ele estava como sempre, feliz e saudável...
Mas as coisas mudam. No fundo, eu sabia que ele iria partir um dia. Não é como se humanos podem viver para sempre.
Então, por que meu coração ficou tão pesado...?
 Ficamos a maior parte do caminho em silêncio, até que ele se pronunciou novamente.
Sr. Anderson: Como está a escola? Mantendo as notas, espero?
Mika: Hm.… sim. Estou tentando ao máximo até agora.
Sr. Anderson: Tentando? Isso não é fazer o melhor que pode, é?
Mika: ...
Com meu pai, apenas algumas palavras do que digo são filtradas por seus ouvidos. Era difícil manter uma conversa sem eventualmente falar sobre o colégio ou meu futuro, mesmo se fosse algo vagamente baseado nisso.
Ele sempre encontrava uma forma de integrar isso quando conversávamos.
Sr. Anderson: De qualquer forma, seus pertences estão no porta-malas. Não há muita coisa, então estou certo de que você consegue levar tudo sozinha para dentro da casa. Afinal de contas, você está no caminho para viver de forma independente agora.
Mika: ... Sim. Eu consigo sozinha.
O silêncio usual pairou sobre nós. Eu não estava certa do que dizer à sua volta, especialmente quando a maior parte do tempo nós não compartilhávamos das mesmas opiniões.
Uma questão passou-se pela minha mente. Se ele fosse se justificar agindo de forma tão indiferente no funeral do Vovô, eu tinha o direito de pelo menos saber o porquê.

[ Tentar de novo ]
[ Deixar para lá ] * Não importa o que escolher aqui, mas eu escolhi esta.
Não havia motivo para falar com ele sobre isso. Seria como o reabrir de uma ferida.... Ou reaplicar um hematoma.
Eu suspirei. Ele me deu uma olhada curiosa, mas não prosseguiu.
Típico.
Inclinei-me sobre a porta do carro e olhei para fora da janela. EU realmente não poderia imaginar. Como estaria este lugar?
Eu já havia vindo à casa de meu avô antes, mas uma coisa é visitar e outra é morar lá.
Como eu poderia morar sozinha sem nenhum treino de como cuidar de uma casa?
Eu sabia que naturalmente as contas seriam pagas por meus pais, que herdaram as ações de meu avô na empresa, eu nunca havia morado de forma independente antes.
Refletindo, senti-me como um pássaro sendo puxado para fora do Dinho. Apenas de eu ser tecnicamente uma adulta, eu ainda não estava preparada e um pouco assustada com a perspectiva de mudar-me para um novo lugar.
A maioria das pessoas na minha idade ficaria empolgado em sair de casa. Afinal de contas, simbolizaria algum tipo de mudança na vida deles, como estar na estrada da independência.
Mas eu não me sentia assim.
Eu realmente esperava não decepcionar meus pais. Eu não queria desapontar meu avô. O que ele poderia dizer agora...?
Eu olhei para as nuvens passageiras. Se você está aí... Vovô... Como você estaria? Haveria algo que você gostaria de me dizer neste momento?
... E claro, sem resposta. O que eu estava fazendo? Buscando por respostas em um céu que eu nem sabia se existia?

Eu fixei meu olhar no borrão das árvores e carros da janela do carro. Minha cabeça estava definitivamente nas nuvens naquele momento. De qualquer forma, eu estava indo em direção à minha nova casa.
Fim da parte 1. Até a próxima! :)

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